A frase que compõe o título deste texto é da autoria de um geógrafo norte-americano chamado David Lowethal. Hoje, em mais um dia de amorfo confinamento por conta desta pandemia que não quer ir embora, tropecei nesta frase e deu-se a epifania: «Sim, é isto».
Realmente depois deste surto nada será como antes. A economia irá ressentir-se, deixando muitos desempregados e imensas famílias à mercê da sua sorte. Vamos ainda demorar bastante tempo até repormos a total confiança na nossa sociedade para que possamos voltar às nossas rotinas diárias habituais. A própria reabertura económica e de espaços sociais será gradual. Toda esta conjuntura vai deixar cicatrizes profundas, inclusivamente na própria saúde mental de toda a humanidade. E o passado é verdadeiramente um país estrangeiro, onde tudo se faz de maneira diferente.
É um exercício peculiar, este de percorrermos a nossa memória e constatarmos como eram diferentes os dias que antecederam à entrada do vírus nas nossas vidas.
Percorro estas lembranças com uma certa nostalgia, chegando mesmo a pensar que vivíamos todos com uma ingenuidade tremenda porque não vislumbrávamos nada de tão catastrófico no nosso, por vezes, tacanho, individualista e mesquinho horizonte. Por aqueles dias, o maior problema era a corrupção no futebol português, as cuecas da Cristina Ferreira em directo ou uma qualquer polémica trivial trazida pela espuma dos dias.
Agora enquanto sociedade e fruto desta desgraça, discutimos a equidade no sistema de ensino português, a falta de meios humanos e técnicos no Sistema Nacional de Saúde e de como vamos apoiar os sectores que sairão mais danificados da crise provocada pelo surto do novo coronavírus. Considero que esta pandemia não vai melhorar-nos intrinsecamente enquanto indivíduos, mas alterou definitivamente o ângulo com que olhamos para a sociedade que há muito construímos e, por isso, necessita de mudanças e reformas urgentes.
quarta-feira, 15 de abril de 2020
sexta-feira, 3 de abril de 2020
Adolescência e secundário são farinha do mesmo saco
Eu quando andava no secundário era parvo. Sim, eu sei no que estão a pensar. Todos temos algo de idiotas no liceu. Eu, por muito que me custe admitir, era o palhaço da turma. Bastava-me arrotar uma qualquer barbaridade para que as gargalhadas se multiplicassem por toda a turma como qual bando de andorinhas a rasgar os céus. Os meus professores nunca gostaram do meu humor, talvez porque consideravam-no um desafio à sua autoridade. Mas não era. Afinal eram só graçolas básicas de um miúdo que não fazia a mínima ideia do que estava ali a fazer.
O conceito de "turma" também é curioso. É um daqueles microorganismos repleto de grupos, tendo cada um deles uma cultura e um espaço próprio. Um destes clãs é a "carneirada" que funcionam como uma minoria silenciosa. Limitam-se a marcar presença, raramente falam e nunca emitem qualquer opinião. Geralmente, são os preferidos dos professores. Depois existem os "sensíveis revolucionários", que costumam despertar algum interesse no género feminino. Estes são os guerreiros das causas perdidas, fazendo-se acompanhar quase sempre por uma guitarra, nem que seja só para o"style".
Um dos grupos que mais simpatizava eram os "perdidos".
Esta malta são gajos que palmilham a crosta terrestre simplesmente porque os pais deles fornicaram e geraram um feto. A escola para eles é um edifício, mas tudo o que a compõe: professores, aulas, disciplinas e matérias não lhes diz absolutamente nada. Basicamente, estão-se nas tintas para tudo. Mas acabam por ser respeitados pelos outros adolescentes, porque nesta fase da vida ser-se um imbecil é sinónimo de admiração entre a comunidade da "idade do armário".
Esta ópera de acne, depressão e relativismo juvenil é coroada com uma viagem de finalistas a um destino manhoso para os lados da Andaluzia. Aqui enterra-se a primavera da vida com uma quantidade industrial de alarvidade entre bubadeiras, vandalismo e promiscuidade sexual. Depois acorda-se em Lisboa. Torre de Molinos já é longínquo e ainda falta o terceiro período. Que seca.
O conceito de "turma" também é curioso. É um daqueles microorganismos repleto de grupos, tendo cada um deles uma cultura e um espaço próprio. Um destes clãs é a "carneirada" que funcionam como uma minoria silenciosa. Limitam-se a marcar presença, raramente falam e nunca emitem qualquer opinião. Geralmente, são os preferidos dos professores. Depois existem os "sensíveis revolucionários", que costumam despertar algum interesse no género feminino. Estes são os guerreiros das causas perdidas, fazendo-se acompanhar quase sempre por uma guitarra, nem que seja só para o"style".
Um dos grupos que mais simpatizava eram os "perdidos".
Esta malta são gajos que palmilham a crosta terrestre simplesmente porque os pais deles fornicaram e geraram um feto. A escola para eles é um edifício, mas tudo o que a compõe: professores, aulas, disciplinas e matérias não lhes diz absolutamente nada. Basicamente, estão-se nas tintas para tudo. Mas acabam por ser respeitados pelos outros adolescentes, porque nesta fase da vida ser-se um imbecil é sinónimo de admiração entre a comunidade da "idade do armário".
Esta ópera de acne, depressão e relativismo juvenil é coroada com uma viagem de finalistas a um destino manhoso para os lados da Andaluzia. Aqui enterra-se a primavera da vida com uma quantidade industrial de alarvidade entre bubadeiras, vandalismo e promiscuidade sexual. Depois acorda-se em Lisboa. Torre de Molinos já é longínquo e ainda falta o terceiro período. Que seca.
segunda-feira, 30 de março de 2020
Gargalhadas no meio da tempestade pandémica
Há certas coisas que escapam à minha compreensão na cobertura mediática que está a ser dada a esta pandemia do novo Coronavírus. Para começar, as longas ligações em directo das «intrincadas» e «complexas» operações de transferência de dezenas de idosos de um lar para um hospital. Estas operações não têm nada de hollywoodesco, ao contrário do que a longa e maçadora cobertura televisiva parece fazer querer. Afinal, são somente utentes e funcionários de lares a entrarem num autocarro deslocando-se das instituições onde estavam instalados para um outro sítio. Eu sei que os media procuram acção a rodos e um êxtase dramático marcante, mas tenham paciência rapaziada, ainda não vale tudo, pelo menos por enquanto.
Outro aspecto que merece destaque, são os discursos dos pivôs no encerramentos dos telejornais, que por esta altura transformaram-se num misto de culto evangélico com uma série juvenil da Netflix. É certo que são palavras heróicas e encorajadoras, porém transportam um positivismo algo irritante e excessivo. Sejamos sinceros, até pode ser bonito, mas de jornalismo tem muito pouco.
Um dos fetiches dos jornalistas por estes dias é também o estado de saúde de Jorge Jesus. Bem sei que o técnico português tem apelido de profeta e até lidera uma religião de fanáticos— uma equipa de futebol brasileira— mas será mais relevante a sua existência do que as 700 mil pessoas que já foram infectadas pelo vírus ou dos milhões que ainda podem vir a ser afectados, mesmo que indirectamente, pela epidemia?
Não podia deixar de referir as belas prateleiras de livros dos comentadores televisivos. Estes ostentam a sua superioridade intelectual exibindo as suas extensas bibliotecas. Neste caso, os livros funcionam em sentido proporcional às medalhas de guerra de um militar: quanto maior for o número de obras, maior é o seu prestígio. Numa sociedade fútil, mais vale parecer do que ser, já diziam os antigos.
Outro aspecto que merece destaque, são os discursos dos pivôs no encerramentos dos telejornais, que por esta altura transformaram-se num misto de culto evangélico com uma série juvenil da Netflix. É certo que são palavras heróicas e encorajadoras, porém transportam um positivismo algo irritante e excessivo. Sejamos sinceros, até pode ser bonito, mas de jornalismo tem muito pouco.
Um dos fetiches dos jornalistas por estes dias é também o estado de saúde de Jorge Jesus. Bem sei que o técnico português tem apelido de profeta e até lidera uma religião de fanáticos— uma equipa de futebol brasileira— mas será mais relevante a sua existência do que as 700 mil pessoas que já foram infectadas pelo vírus ou dos milhões que ainda podem vir a ser afectados, mesmo que indirectamente, pela epidemia?
Não podia deixar de referir as belas prateleiras de livros dos comentadores televisivos. Estes ostentam a sua superioridade intelectual exibindo as suas extensas bibliotecas. Neste caso, os livros funcionam em sentido proporcional às medalhas de guerra de um militar: quanto maior for o número de obras, maior é o seu prestígio. Numa sociedade fútil, mais vale parecer do que ser, já diziam os antigos.
sexta-feira, 27 de março de 2020
Coronavírus: A União Europeia também está infectada com o vírus do egoísmo.
A União Europeia corre mais riscos do que nunca de desaparecer. A gritante inacção política perante a crise sanitária e económica que a Europa atravessa, coloca Bruxelas presa num nó impossível de desatar.
Sou um leigo nestas matérias. Não conheço por dentro as movimentações dos bastidores políticos, mas como qualquer outro cidadão faço leituras, porque afinal na política «aquilo que parece, é». Neste caso, apercebo-me que há dois grupos dentro desta «União»: os países do sul da Europa, a tentarem reerguer-se da crise de 2008, na qual foram os mais penalizados pelas medidas de austeridade, sendo este «castigo» sustentado pela narrativa assente no pressuposto de termos todos vivido acima das nossas possibilidades— que do meu ponto de vista é manifestamente errado.
A outra facção é a dos países do centro e norte da Europa, encabeçada pela Alemanha, que não querem sacrificar alguma da riqueza da sua comunidade para reerguer as economias mais frágeis do velho continente. Esta falta de solidariedade sem precedentes na história da Europa, num momento de grande pânico social, dá-nos a clareza de que esta «União» parece só defender os interesses dos países ricos do norte e do centro do continente, servindo exclusivamente para estes circularem livremente os seus bens e recrutarem recursos humanos qualificados a um preço acessível, aos periféricos e pobres países do sul. Na altura de reerguer as economias mais frágeis, onde o impacto da pandemia do novo Coronavírus terá consequências potencialmente catastróficas, os estados mais abastados fogem das suas responsabilidades enquanto membros de uma união política e económica.
Parece-me inequívoco que uma pandemia com esta dimensão necessita de medidas económicas decretadas a nível europeu, exigindo uma reacção concertada por parte de todos os estados-membros. Os líderes europeus não podem pensar que esta pandemia ficará circunscrita a alguns países, pois este vírus não conhece fronteiras.
Caso não apareça uma solução conjunta, tanto a nível económico, como sanitário, e se mantenham atitudes que reflectem um egoísmo brutal, como a do Ministro das Finanças holandês— que pediu uma investigação à Espanha por esta não ter capacidade orçamental para combater a crise provocada pela pandemia— é perceptível que o futuro da União Europeia, tal como a conhecemos, encontra-se altamente comprometido.
Nas sociedades mais afectadas pela Covid-19, pairará a desconfiança para com os restantes parceiros europeus. A falta de solidariedade entre os vários estados sairá sublinhada, reforçando os nacionalismos. É no mínimo bizarro constatar que os mesmos altos líderes da União Europeia, que no seu discurso combatem tão ferozmente o crescimento dos populismos nacionalistas na Europa e no mundo, são os mesmos cuja acção política efectiva alimenta estes movimentos.
Sou um leigo nestas matérias. Não conheço por dentro as movimentações dos bastidores políticos, mas como qualquer outro cidadão faço leituras, porque afinal na política «aquilo que parece, é». Neste caso, apercebo-me que há dois grupos dentro desta «União»: os países do sul da Europa, a tentarem reerguer-se da crise de 2008, na qual foram os mais penalizados pelas medidas de austeridade, sendo este «castigo» sustentado pela narrativa assente no pressuposto de termos todos vivido acima das nossas possibilidades— que do meu ponto de vista é manifestamente errado.
A outra facção é a dos países do centro e norte da Europa, encabeçada pela Alemanha, que não querem sacrificar alguma da riqueza da sua comunidade para reerguer as economias mais frágeis do velho continente. Esta falta de solidariedade sem precedentes na história da Europa, num momento de grande pânico social, dá-nos a clareza de que esta «União» parece só defender os interesses dos países ricos do norte e do centro do continente, servindo exclusivamente para estes circularem livremente os seus bens e recrutarem recursos humanos qualificados a um preço acessível, aos periféricos e pobres países do sul. Na altura de reerguer as economias mais frágeis, onde o impacto da pandemia do novo Coronavírus terá consequências potencialmente catastróficas, os estados mais abastados fogem das suas responsabilidades enquanto membros de uma união política e económica.
Parece-me inequívoco que uma pandemia com esta dimensão necessita de medidas económicas decretadas a nível europeu, exigindo uma reacção concertada por parte de todos os estados-membros. Os líderes europeus não podem pensar que esta pandemia ficará circunscrita a alguns países, pois este vírus não conhece fronteiras.
Caso não apareça uma solução conjunta, tanto a nível económico, como sanitário, e se mantenham atitudes que reflectem um egoísmo brutal, como a do Ministro das Finanças holandês— que pediu uma investigação à Espanha por esta não ter capacidade orçamental para combater a crise provocada pela pandemia— é perceptível que o futuro da União Europeia, tal como a conhecemos, encontra-se altamente comprometido.
Nas sociedades mais afectadas pela Covid-19, pairará a desconfiança para com os restantes parceiros europeus. A falta de solidariedade entre os vários estados sairá sublinhada, reforçando os nacionalismos. É no mínimo bizarro constatar que os mesmos altos líderes da União Europeia, que no seu discurso combatem tão ferozmente o crescimento dos populismos nacionalistas na Europa e no mundo, são os mesmos cuja acção política efectiva alimenta estes movimentos.
segunda-feira, 23 de março de 2020
A Quarentena
Há uns anos li um livro de Albert Camus, «A Peste», e fiquei transtornado com aquele cenário sufocante de uma epidemia no norte de África.
Passou-me mesmo pela cabeça o quanto aterrador deveria ser viver algo parecido na primeira pessoa. Hoje sou eu, o médico em Argel, que encara o futuro com uma incerteza descontrolada, com um medo paralisante e uma falta de esperança angustiante. Tento combatê-la e contrariá-la. Não sei o que o amanhã trará. Nunca o suposto último verso da vida de Pessoa fez tanto sentido. Tento fazer planos para o pós-quarentena, delineando na minha mente os sítios que quero visitar. Pretendo celebrar a vida como nunca o fiz, porque agora consigo valorizar as pequenas coisas. Este tempo serve-me para pôr tudo em perspectiva. Aquilo que outrora considerava essencial, hoje não passa de algo verdadeiramente acessório e o importante é sem dúvida o sono, a distracção, o bem-estar e a minha saúde.
Vive-se um dia de cada vez, esperando que tudo corra pelo melhor, mas preparando-me para o pior. A catadupa de notícias não ajuda e a mente começa a ceder às trevas. Talvez precise de ir ao futebol, sair à noite, inebriar-me com álcool e outras futilidades juvenis. Adormecer e acordar daqui a três meses e tudo isto ser apenas uma miragem. Queria poder proteger todos aqueles que me rodeiam, a minha namorada, os meus pais, familiares e amigos. Mas somos humanos, ou seja, somos frágeis. Afinal, foi isto que esta epidemia veio sublinhar. A nossa ténue existência treme com um simples vírus microscópio, não havendo nem tecnologia, nem ciência que encontre a solução para este cataclismo. Onde estão os super-homens da ciência, os líderes cheios de certezas e poucas dúvidas? Agora somos todos fracos e à mercê da natureza.
Não sei se isto vai alterar alguma coisa na forma como a sociedade está estruturada, mas espero que sim. Em mim já mudou, ainda não sei o quê, mas vou esperar que o amanhã se revele.
Passou-me mesmo pela cabeça o quanto aterrador deveria ser viver algo parecido na primeira pessoa. Hoje sou eu, o médico em Argel, que encara o futuro com uma incerteza descontrolada, com um medo paralisante e uma falta de esperança angustiante. Tento combatê-la e contrariá-la. Não sei o que o amanhã trará. Nunca o suposto último verso da vida de Pessoa fez tanto sentido. Tento fazer planos para o pós-quarentena, delineando na minha mente os sítios que quero visitar. Pretendo celebrar a vida como nunca o fiz, porque agora consigo valorizar as pequenas coisas. Este tempo serve-me para pôr tudo em perspectiva. Aquilo que outrora considerava essencial, hoje não passa de algo verdadeiramente acessório e o importante é sem dúvida o sono, a distracção, o bem-estar e a minha saúde.
Vive-se um dia de cada vez, esperando que tudo corra pelo melhor, mas preparando-me para o pior. A catadupa de notícias não ajuda e a mente começa a ceder às trevas. Talvez precise de ir ao futebol, sair à noite, inebriar-me com álcool e outras futilidades juvenis. Adormecer e acordar daqui a três meses e tudo isto ser apenas uma miragem. Queria poder proteger todos aqueles que me rodeiam, a minha namorada, os meus pais, familiares e amigos. Mas somos humanos, ou seja, somos frágeis. Afinal, foi isto que esta epidemia veio sublinhar. A nossa ténue existência treme com um simples vírus microscópio, não havendo nem tecnologia, nem ciência que encontre a solução para este cataclismo. Onde estão os super-homens da ciência, os líderes cheios de certezas e poucas dúvidas? Agora somos todos fracos e à mercê da natureza.
Não sei se isto vai alterar alguma coisa na forma como a sociedade está estruturada, mas espero que sim. Em mim já mudou, ainda não sei o quê, mas vou esperar que o amanhã se revele.
segunda-feira, 2 de março de 2020
Atenas, a cidade onde o feio torna-se belo
A Grécia é um sitio único, sobretudo pelo seu povo. É a minha terceira vez neste país, portanto, tenho legitimidade para afirmar que já me sinto um pouco grego. Admiro a dignidade serena deste povo, por serem agradáveis, mantendo os valores éticos e por praticarem o "bem" de uma forma desinteressada, sem esperar algo em troca.
Atenas é das maiores cidades da Europa, com seis milhões de habitantes. A capital grega é um sítio vibrante. As ruas são sujas e há toda uma áurea dirty que a rodeia, sendo este um ponto forte do seu charme. Aqui há uma cultura de café bastante enraizada. Os gregos são capazes de ficar horas numa esplanada enquanto saboream o seu freddo (café gelado), fazendo jus à capacidade dos seus antepassados filósofos, quer seja numa animada conversa entre amigos ou num prolongado momento introspectivo.
O trânsito é bastante caótico em comparação com Portugal, mais concretamente, com o tráfego lisboeta, o que pode parecer difícil .
Para os amantes de história, aconselho o Museu de Arqueologia de Atenas, onde estão expostas várias obras que abarcam todos os períodos da antiguidade clássica, reflectindo as várias fases da cultura helênica.
A gastronomia grega também tem as suas cartas na manga, e não são poucas. Entre souvlakis (espetadas), gyros (kebab) e saladas com queijo feta, há de tudo um pouco para nos deliciarmos com a suavidade das iguarias mediterrânicas.
Prometo contar tudo com mais promenor nos próximos textos. Ate já.
Atenas é das maiores cidades da Europa, com seis milhões de habitantes. A capital grega é um sítio vibrante. As ruas são sujas e há toda uma áurea dirty que a rodeia, sendo este um ponto forte do seu charme. Aqui há uma cultura de café bastante enraizada. Os gregos são capazes de ficar horas numa esplanada enquanto saboream o seu freddo (café gelado), fazendo jus à capacidade dos seus antepassados filósofos, quer seja numa animada conversa entre amigos ou num prolongado momento introspectivo.
O trânsito é bastante caótico em comparação com Portugal, mais concretamente, com o tráfego lisboeta, o que pode parecer difícil .
Para os amantes de história, aconselho o Museu de Arqueologia de Atenas, onde estão expostas várias obras que abarcam todos os períodos da antiguidade clássica, reflectindo as várias fases da cultura helênica.
A gastronomia grega também tem as suas cartas na manga, e não são poucas. Entre souvlakis (espetadas), gyros (kebab) e saladas com queijo feta, há de tudo um pouco para nos deliciarmos com a suavidade das iguarias mediterrânicas.
Prometo contar tudo com mais promenor nos próximos textos. Ate já.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
A Noite (baseado em mais de 10 anos de experiência em ambientes de diversão nocturna)
A noite é reconhecida como um espaço de diversão, de fuga ao quotidiano e de reunião de amigos de longa data. Contudo, partindo destas generalizações maioritariamente aceites por todos, podemos também dizer que se trata de um local onde abunda muita parvoíce.
Há um tipo de gente que no espaço nocturno entra num transe ao qual eu gosto de chamar «Modo Risco», homenageando o jogo de tabuleiro popular nas décadas de 80 e 90. Esta casta luta arduamente por cada centímetro da pista. Eles é «cuzadas» para trás, cotovelos na nuca de outros noctívagos. Enfim, vale tudo para ser o Napoleão da pista. Habitualmente, estas «guerras» descambam em confusões, mais ou menos violentas, terminadas pela agressividade e determinação de um qualquer segurança da noite chamado Carlão ou Fúria. Mas depois da tempestade vem a bonança, que aqui, leia-se: a Casa de Banho.
Na «casinha», todos somos amigos e bem educados. Neste sítio, conseguimos até manter uma conversa estável num ambiente, já de si próprio, constrangedor. Mas assim que cruzas a porta, voltas a ser o mesmo demónio embrutecido que empurra alguém por um encontrão mal calculado ou um bocado de cerveja no pullover.
No campo dos engates da noite há duas espécimes: O Entertainer e o Misterioso. Passo a explicar.
O Entertainer é aquele «Party Animal» que dança e sua como se estivesse num videoclip da Shakira. Porém, a sua dança não é mais do que um ritual de acasalamento tribal, servindo para atrair as fêmeas que estejam disponíveis a dar uma chance a este pavão.
Já o Misterioso, penso que podemos dizer que é um clichet da noite. Todos conhecemos aquele tipo de homem que fica perto do balcão, fingindo saborear profundamente a sua bebida de forma elegante, enquanto fisga com o olhar um rol de possíveis vítimas do seu charme. O critério de selecção deste predador silêncioso, mas incansável, prende-se com a quantidade de álcool que as raparigas ou rapazes possam ter a fluir nas suas veias. Ele cheira fragilidades a quilómetros de distância, sejam elas daddy issues ou términos de relações recentes. Ele ignora a boa e velha moral cristã e até os amigos que, em privado, tratam-no por «Abutre».
Para finalizar não podíamos deixar de falar numa das mais comuns figuras da noite. A este arquétipo gosto de chamar «O Guia».
É aquela pessoa que tem a saída toda planificada na sua cabeça, propondo-se a ser o timoneiro da jornada nocturna. Os restantes tendem a aceitar naturalmente a sua liderança, porque não querem comprar uma guerra política. Em boa verdade, 90% da população quando «vai para a noite» quer somente poisar os corpos cansados num qualquer Snack-Bar e beber «uns canecos».
Contudo, o Guia quer mais, muito mais. Ele deseja que todas as saídas sejam actos heróicos e memoráveis, como se tratasse de uma verdadeira epopeia clássica. Por tudo isto, ele já desenhou o mapa a percorrer: Cada bar, os tempos bem delineados, as bebidas a consumir, e até arranja estupefacientes se assim vos aprazer. No entanto, confiar nele pode revelar-se uma decisão terrível. Ninguém quer acabar uma noite, chegar a casa, e sentir os músculos das pernas a estremecerem de dor, e tudo causado pela peregrinação boémia dos «melhores spots» do Bernardo. Acreditem, é pior do que ir da Reboleira ao Colombo a pé.
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